constrangimento no shopping barigui

O boy e eu decidimos que iríamos colocar alianças nos dedos, porque somos bem fofinhos e bregas, e não estamos nem aí pra fome no mundo, vamos gastar dinheiro com alianças sim, muito obrigado, etc.

E lá fomos nós no sábado pro Park Shopping Barigui dar uma olhada na Prata Fina, e, como sempre, quando chegamos no shopping, começamos a andar de mãos dadas, porque afinal, se ~as gueis~ podem casar, porque não poderiam andar de mãos dadas no shopping né?

E aí a gente deu as mãos e automaticamente o público do shopping começou a olhar.

A olhar feio.

A olhar torto.

Machado de Assis with lasers

a olhar with lasers

Olha, até onde eu tinha olhado estamos em 2013 2014, certo? Então pra que toda essa coisa de olhar pra gente como se fossemos dois abacaxis com pernas?

Foi muito constrangedor.

Mas como nós somos emocionalmente fortes, porque desde sempre tivemos que ser, seguimos até a Prata Fina, desviando dos lasers alheios, e chegamos lá meio incomodados, mas ainda assim felizes e serelepes, celebrando nosso momento feliz de alianças.

Prata Fina Park Shopping Barigui

eis-la

Tudo muito bom, tudo muito bem, entramos na loja, e a vendedora que talvez fosse nos atender, continuou mexendo no que estava fazendo, e sem nos olhar falou “já atendo vocês”. Ok, vamos aguardar.

Como ela demorou um pouco, veio outro vendedor, que nos cumprimentou, etc, e quando eu falei a palavra “aliança”, ele ~magicamente~ mudou de comportamento, olhou pra baixo e mostrou as alianças sem olhar pra nós. Só pra baixo. O vendedor estava visivelmente desconfortável em nos atender.

Obviamente o atendimento péssimo nos fez sair dali e ir em outra loja, já que a Prata Fina não gosta muito de vender alianças para gays. Próxima loja: Prata & Arte.

Prata e Arte Shopping Barigui

eis-la em baixa resolução

Lá a coisa funcionou beeeeeeeem diferente, a loja quis nos vender alianças, a vendedora que nos atendeu não só perguntou nossos nomes e conversou com a gente como gente de verdade, como até ajudou a gente a descobrir que estávamos provando os tamanhos errados nos dias/lojas anteriores. E foi ali que compramos.

Ficamos super felizes com a compra, but assim que saímos da loja, voltamos pro pessoal with lasers que estava zanzando pelo shopping, e acho que foi uma das minhas visitas mais rápidas ao Park Shopping Barigui, de tão horrível que foi o sentimento.

Alianças

aqui pra vcs então

Vejam: não estou dizendo que esse constrangimento foi “culpa” do shopping ou da loja que nos atendeu mal. A loja, obviamente, não preparou muito bem aquele vendedor pra lidar com a situação, mas o shopping em si eu não vejo como “culpado”. Mas sim os frequentadores, um monte de gente metida a rica, e metida a família-americana-suburbana, que quer esconder dos filhos que no mundo existem pessoas gays. Pois é, queridos, nós existimos sim, e nós pagamos impostos do mesmo jeito que vocês, então, o mínimo que a gente espera é respeito, sem se sentir mal porque o tempo todo tem alguém olhando feio e entortando o pescoço pra ver direito.

Porque sinceramente, eu não mereço esse tratamento, eu não fiz nada pra vocês me olharem feio, nem sequer eu escolhi ser gay. Então, pleeeeeeease, parem com isso. Parem com esse preconceito sem fundamento, parem de achar que seus conceitos de certo e errado são os melhores, e saiam de dentro da bolha de vocês. Porque não dá mais.

Detalhe: nós nunca passamos por esse constrangimento em nenhum outro lugar, e nós andamos de mãos dadas no Angeloni, no Shopping Curitiba, no Shopping Muller, e em mais um monte de lugares, inclusive, ontem estávamos no Carmel Bar, e ninguém sequer prestou atenção quando estávamos na mesa de mãos dadas.

Pois é.

Enfim, galere, boa sorte pros próximos ~gueis que forem comprar aliança no shopping barigui… se cuidem. Beijos, e boa noite lua boa noite stars

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  1. sabe o que é isso?

    isso é inveja dos seus cabelos, meu amô!
    parabéns pela coragem!
    continuem fortes ~que a força esteja com vcs~!

    beijos ;*

  2. No fim o que importa é o momento especial. ownn.
    E quem precisa voltar ao Barigui, mesmo? 😛
    As pessoas não deveriam se restringir dessa maneira baseadas no comportamento mesquinho dos outros, maaaas até que todos compreendam a afetividade da maneira como ela deveria ser compreendida, esse é o jeito.

    • Pois é, é complicado, porque também não dá pra ser ativista todo dia, um dia a pessoa cansa, então não é todo mundo que se dispõe a se aventurar lá e dar as mãos como a gente sabe que pode fazer em outros lugares.
      O mesmo vale pra andar na rua no centro também, nos lugares perigosos, ninguém quer se arriscar a dar a mão pra não apanhar/morrer/etc…
      Aos poucos as pessoas vão tomando coragem e os outros se acostumando, ou ao menos, assim espero 🙂

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